quarta-feira, 16 de março de 2011

O mago da guitarra elétrica

T-Bone Walker foi a tempestade elétrica do blues na década de 30 e 40. Sua “energia” fez o mundo do blues sacudir e ganhar volume sonoro

A música negra americana nascida no delta começou com instrumentos rústicos e feitos artesanalmente. A medida que o desenvolvimento tecnológico foi aflorando, a qualidade sonora dos instrumentos aumentaram. Quando a música passou a ser amplificada, os músicos atingiram outras fronteiras e a linguagem musical foi se transformando. O blues chegou ao rhythm and blues, que mais tarde chegou ao rock´n'roll. O objetivo desse post é apresentar uns dos primeiros bluesman que percorreram esse caminho.

T- Bone Walker nasceu em 1910 na cidade de Dallas no Texas. Desde criança tinha contato com a música. Dançava para a orquestra de cordas do padrasto. Com 12 anos ganhou um banjo da mãe. Para ganhar algum dinheiro foi ser guia de cego, e um cego famoso, Blind Lemon Jefferson. Com o bluesman cego aprendeu muito. Com 16 anos já havia gravado 2 discos. Acompanhou Ida Cox e Ma Rainey, duas grandes cantoras do blues da época.

Em 1936 foi parar em Oklahoma para aprender mais sobre música. Foi lá que desenvolveu sua técnica, aprendeu a falar a língua da guitarra. No mesmo ano foi para dos lugares onde já existiam bastante negros. Em Los Angeles, Walker encontrou uma grande parceira. A guitarra elétrica Gibson ES 150. No final da década de 30, os instrumentos amplificados começaram a serem vendidos em maior número. A demanda por eles crescia bruscamente.

A bandas passaram a tocar mais alto e com mais instrumentos. O talento e técnica de T-Bone Walker estavam na sua capacidade de transformar o blues lento em uma mistura de boggie e jump. Um blues mais acelerado e com mais swing. Essa linguagem foi chamada de rhytm and blues e que conhecemos até hoje.

O grande sucesso de T bone foi Call it stormy monday, música que cantava sobre a situação do negro que voltou da segunda guerra depois de grande batalhas para levar uma vida de privações e anonimato. Walker serviu de influência para nomes como Little Richard, Chucky Berry BB King e Jimmi Hnendrix. Esse último o considerava um herói.

T-bone Morreu em 1975 de pneumonia. O seu cortejo foi acompanhado por um multidão, o que confirmaria sua importância para a música e para o homem negro. A voz que cantou Call it Stormy Monday continua emocionando. Tanto que Cream, Steve Ray Vaughan e Albert King já tocaram e gravaram a música.


Por que não ouvir Call It Stormy Monday?









sexta-feira, 11 de março de 2011

O bluesman dos livros

Mesmo não sendo um guitarrista,gaitista ou baixista, Paul Oliver contribuiu para que a memória do blues continue viva e pulsante no séc XXI




A proposta do blog de blues é abordar o gênero em todo seu contexto. Dentro dessa perspectiva, um post sobre uma figura importante para a música negra americana se faz necessário. O bluesman de quem eu vou contar um pouco a história não é músico. Pois o nosso personagem é um bluesman de alma. É um dos maiores historiadores do blues do mundo.


Além de historiador, Paul Oliver também é arquiteto, e dos bons. É especialista em arquitetura vernacular, ou seja, arquitetura da terra, que usa os elementos do próprio ambiente para edificar uma construção. Mais ou menos isso. Meu negocio é blues e não arquitetura. E talvez por essa ligação com a terra, nosso amigo também seja especialista no gênero.


Apesar de ter nascido na Inglaterra, mais precisamente em Nottingham em 1927, Paul Oliver tem um grande interesse na música negra americana. Seu trabalho com o blues começou na década de 50. Sua pesquisa empreendeu um grande e detalhado trabalho de campo. Percorreu a terra do blues, ouviu e entrevistou grandes músicos. O resultado foi uma bibliografia consistente. São 10 livros que abordam o blues sobre diferentes perspectivas. As obras falam sobre as tradições, raízes, personagens, gravações e tudo o que envolve a música. Sem dúvida, Paul Oliver ofereceu e oferece uma grande contribuição histórica e acadêmica ao gênero musical mais importante do ocidente no século 20. Pena que não seja fácil adquiri-los no Brasil. É preciso importá-lo, e saber inglês.


Mas quem tiver interesse:
http://www.amazon.com/s/ref=nb_sb_noss?url=search-alias%3Daps&field-keywords=paul+oliver




Bibliografia:


Oliver, Paul (1959). Bessie Smith. Cassell, London.
Oliver, Paul (1960). Blues fell this morning : the meaning of the blues. Cassell, London. ISBN 3-85445-065-6.
Oliver, Paul (1965). Conversation with the blues. Cassell, London. ISBN 3-85445-065-6.
Oliver, Paul (1968). Screening the blues : aspects of the blues tradition. Cassell, London. ISBN 0-304-93137-3.
Oliver, Paul (1969). The story of the blues. Barrie & Jenkins, London. ISBN 3-85445-092-3.
Oliver, Paul (1970). Savannah syncopators : African retentions in the blues. Studio Vista. ISBN 0-289-79828-0.
Oliver, Paul (1984). Songsters and saints : vocal traditions on race records. Cambridge Univ. Press, Cambridge. ISBN 0-521-24827-2.
Oliver, Paul (1984). Blues off the record : thirty years of blues commentary. Baton Press, Tunbridge Wells. ISBN 0-306-80321-6.
Oliver, Paul (2006). Broadcasting the Blues : Black Blues in the Segregation Era. Routledge, New York & Abingdon. ISBN 0-415-97177-2.
Oliver, Paul (2009). Barrelhouse Blues: Location Recordings and the Early Traditions of the Blues. Basic Civitas, London. ISBN 978-0-465-00881-0.


Aqui um breve pensamento de Paul Oliver sobre o blues.
"...o blues é um estado de espírito e a música que dá voz a ele.O blues é o lamento dos oprimidos,o grito de independência,a paixão dos lascivos,a raiva dos frustrados e a gargalhada do fatalista.É a agonia da indecisão,o desespero dos desempregados,a angústia dos destituídos e o humor seco do cínico.O blues é a emoção pessoal do indivíduo que encontra na música um veículo para se expressar.Mas é também uma música social:o blues pode ser diversão,pode ser música para dançar e para beber,a música de uma classe dentro de um grupo segregado.O blues pode ser a criação de artistas dentro de uma pequena comunidade étnica,seja no mais profundo Sul rural,seja nos guetos congestionados das cidades industriais.O blues é a canção casual do guitarrista na varanda do quintal,a música do pianista no bar,o sucesso do rhythm and blues tocado na jukebox.É o duelo obsceno de violeiros na feira ambulante,o show no palco de um inferninho nos arredores da cidade,o espetáculo de uma trupe itinerante, o último número de uma estrela dos discos.O blues é todas estas coisas e todas estas pessoas,a criação de artistas famosos com muitas gravações e a inspiração de um homem conhecido apenas por sua comunidade,talvez conhecido apenas por si mesmo".
Entenderam porque ele também é um bluesman? É preciso entender que não é só músicos que um gênero é feito. O público, historiadores e produtores também de extrema relevância. Qualquer um que contribua para que a cultura blues seja ouvida ou absorvida deve ser chamado de bluesman, na minha singela opinião.


Obrigado Paulo Oliver!


quinta-feira, 10 de março de 2011

Programa Delta Blues (Charley Patton)

Ouça também na Elo Fm http://www.elofm.com.br/deltablues

Produção e apresentação: Guilherme Reis
Trasmissão: segunda-feira (11h).
Reprise: terça-feira (15h), quarta-feira (8h e 16h), quinta-feira (10h e 20h), sexta-feira (14h e 22h), sábado (9h e 17h), domingo (7h e 12h)
 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O homem da colher cheia

Willie Dixon foi um dos grandes da história do blues. Mas não se resumia apenas a tocar. Era produtor, caçador de talentos e trilheiro.




Ele não era um grande guitarrista e muito menos um bom cantor, mas sua habilidade bluesística lhe trouxe fortuna e reconhecimento. Willie Dixon nasceu em 1915, na cidade de Vicksburg no Mississipi, onde o nosso amigo teve o primeiro contato com a música. Foi correndo atrás do caminhão da banda do pianista Little Brother Montgomery que Willie germinava sua semente musical. Sua mãe era ligada a igreja, compunha poemas religiosos e se dava bem com a palavra. Na casa sagrada, o bluesman aprendeu música gospel.


Não era um grande instrumentista, mas a influência da mãe o fazia ter facilidade com a caneta e papel. Passou a escrever poemas também. Quando tinha 21 anos resolveu fazer o caminho de vários negros do interior: ir a Chicago para ganhar a vida. Willie tinha outro talento que aprimorou na nova cidade. O boxe. Em 1937 chegou a ser campeão do estado de Illinois. Divergências com o empresário fizeram as coisas voltarem para o curso natural. Um amigo com quem treinava o fez entrar de vez no mundo da música.


Os punhos que soltavam cruzados e diretos agora tocavam baixo. Willie tinha grande capacidade de fazer o público ouvir o que precisava. Ajudou imensamente a Chess, a gravadora da época, a ganhar dinheiro. Foi o principal produtor do blues daqueles anos. Compunha e tocava para grandes estrelas como: Myddy Water e Howling Wolf. Suas músicas também foram regravadas por monstros do rock. Little Red Rooster por Rolling Stones, I can quit you Baby por Led Zeppelin e Spoonfull por Cream, a banda de Eric Clapton. Que aperfeiçoou a versão de Howling Wolf.


O talento como produtor o fez se aproximar até de Hollywood. Fez trilhas para A cor do Dinheiro e La Bamba. Com certeza se tornou um dos bluesmen mais bem sucedidos comercialmente e financeiramente. As injustiças que sofreu no início do século por ser negro desencadearam Willie a criar a Blues Heaven Foundation. Uma organização sem fins lucrativos que buscava ajudar talentos e manter a memória do gênero viva. Uma curiosidade é que Willie ganhou Royalities pagos pelo Led Zeppelin. A banda inglesa plagiou a música You need Love, que você deve conhecer como Whole Lotta Love.


São poucas palavras pelo que Willie fez. Além de um músico natural, também era uma grande pessoa. Durante a segunda guerra mundial se recusou a lutar. Foi até julgado. Não achava certo ter que lutar por um país que o recriminava. Sabia quem era e o queria. Esse foi Willie Dixon, uma das mais talentosas e nobres almas do blues, que descansou em 1992, vítima de um ataque cardíaco. O coração parou, a música não.


Ouça I can't quit you baby


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Entrevista Exclusiva com Gustavo Andrade da banda Gustavo Andrade and the Hotspot Blues Band

Uma das primeiras bandas de Blues de Minas Gerais está no seu blog de Blues. Quem teve a oportunidade de vê-los ou ouvi-los sabe que o blues mineiro não deixa a desejar, muito pelo contrário. Gustavo Andrade and the Hotspot Blues provam que blues é bom em qualquer lugar.
Entrevista cedida ao Blues em Clarksdale, na integra.

1) Quando começou a se envolver com o blues e por que?

O blues sempre esteve presente na minha vida. Sem perceber, escutamos o blues através do rock, do jazz, do soul e de ritmos latinos. O blues como raiz desses e de muitos outros estilos está mais presente em nossas vidas do que imaginamos. Descobri a minha paixão pelo blues através de bandas de rock como Led Zeppelin, Rolling Stones, Eric Clapton e Jimi Hendrix Experience, que começaram a carreira fazendo releituras de blues e tinham em sua musica a nítida influencia de mestres como Robert Johnson, Howlin' Wolf, Muddy Waters, Willie Dixon, Freddie King, BB King entre outros. O blues é repleto de histórias e de exímios músicos, ele anda lado a lado com a história de vida da civilização americana a partir do século 19. Daí em diante nada mais justo do que fazer uma grande pesquisa ao passado e aos compositores de blues, é o que faço desde os 15 anos de idade e ainda não parei pois sempre terá o que descobrir, isso é o mais fascinante no blues.

2) Você deve ter um grande bluesman como ídolo. Em quem você se espelha?

Não é fácil citar só um artista de blues, pois cada um tem sua peculiaridade, seu estilo. O blues é repleto de sub-estilos: "Shuffle", "West-Coast", "Eletric-Blues", "Blues-Soul", "Surf-Blues", "Blues-Rock", "Boogie-Woogie", "Rock n Roll", "Blues-Jazz", "Latin-Blues", adoro todos esses estilos e tento agregar todos esses estilos à minha música. Meu estilo predileto é o Blues-Soul, curto muito a fase anos 60/70 do blues, Freddie King, Albert King, BB King e Bill Withers são meus favoritos. Mas tento escutar de tudo um pouco, quanto mais boas informações musicais, melhor para o músico. Como brasileiro também gosto muito de ritmos afro-latinos, esse é um forte diferencial no meu blues.

3) Sabemos que vida de músico é dureza. Você consegue viver só de blues?

Além de músico sou bacharel em Administração e tenho MBA em Marketing, Já trabalhei em grandes empresas e hoje coordeno uma cadeia de lojas, mas acredito que quem é bom no que faz consegue viver bem com o que for que seja. Penso que muitas vezes as pessoas não tem noção do que é tocar bem e realizar um trabalho realmente bom e profissional, aí acabam caindo nessa conversa de que música é dificil e não dá grana. A verdade é que voce tem que ser bom, estudar, pesquisar, se destacar e saber investir como em qualquer outra profissão. Lógico que trabalhar por conta própria e com arte não é fácil, mas já tive época que vivia só de blues sem muitos problemas. Hoje em dia as pessoas fazem dez coisas ao mesmo tempo, faz até bem pra musica voce ter outras fontes de renda, até pra poder investir mais na sua carreira musical.

4) Belo Horizonte tem uma cena relevante de blues? O que precisamos para difundi-la?

Sim, Belo Horizonte está cada vez mais inserida na cena do blues nacional. Em meados dos anos 90 existiam apenas uma meia dúzia de bandas em atividade. Na virada do século as bandas mais atuantes eram apenas a Nasty Blues e a Hot Spot. Nos dias de hoje eu já perdi a conta de quantas bandas surgiram e muitas outras que não são especificamente de blues mas que já conhecem a importância do blues para se tocar um bom rock, um bom jazz, um bom soul. Tenho muito orgulho de poder contribuir com essa evolução e divulgação do blues em Minas e de ser a primeira banda de blues de BH a ter um trabalho lançado em todo Brasil por uma gravadora, a Blues Time Records, a maior gravadora de blues do país.

Para difundir a cena blues de Minas precisamos de duas coisas: a profissionalização e o comprometimento dos artistas com um trabalho sério, um material consistente e cada vez melhor; e a sensibilidade de jornalistas como você, que dão a devida importância e o espaço na mídia, à essa que é uma das mais legítimas expressões de arte da humanidade, o blues.

5) A indústria fonográfica perdeu força devido ao boom da internet. Quais são os pontos negativos e positivos dessa nova forma de exposição?

A roda da economia está sempre em movimento e junto às novas tecnologias devemos estar sempre preparados para esse tipo de mudança. Não precisa ser um "expert" em marketing para saber que qualquer produto ou serviço tem seu começo, meio e fim. Penso que as gravadoras não estavam preparadas para essa virada de século, isso afetou as vendas e muitas quebraram com a troca de midia gratis via internet. Certamente, para as gravadoras não foi tão bom esse "boom", mas para a maioria de novos artistas e bandas independentes a facilidade de divulgação aumentou, isso já está mais que comprovado. Para os artistas de grandes gravadoras acho que não mudou muita coisa, porque a grana de vendagem de produtos eles quase não viam. O que vale mesmo estar em uma gravadora é a divulgação e a exposição na mídia. Acho meio forte dizer que a internet afetou a "indústria fonográfica", porque um dos maiores mercados do mundo continua sendo o de entretenimento. As gravadoras foram pressionadas a se reinventarem e colocar as aulas de marketing em prática, diversificar e assim recuperar o seu mercado. Isso faz bem para o mercado e sempre vai acontecer. E indiscutivelmente, para quem ainda quer ter um produto de qualidade, a melhor opção é comprar um produto original do artista.

6) Em um dos meus posts nesse blog comentei sobre a decaída do gênero no que diz respeito a comercialização do blues e o seu público, que já foi bem maior. Até BB King admitiu que as pessoas não querem mais saber de blues. O que você acha disso?

Sim, isso é mais que natural, tudo que é novidade tem um tempo de exposição maior, com o blues não foi diferente. O blues nasceu pra valer nos anos 20, partindo desse ponto de vista o blues passou por várias fases mas ainda está bem vivo e conseguiu atravessar o século 20 como um dos mais importantes ritmos em todo o mundo, tá bom ou quer mais? Ok, então vai mais um pouquinho...

Pense comigo, se não houvesse o blues o que seria de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Beatles, Rolling Stones, Elvis Presley, Eric Clapton, Joss Stone, Amy Winehouse, John Mayer, Ben Harper entre tantos outros artistas populares? São artistas de várias épocas que tem o blues como base de sua musica, você ainda acha pouco comercial?

Pra mim, o que é diferente no blues é que não podemos considerá-lo apenas como um produto que se vende mais, numa determinada época ou em outra, mas sim a importância que ele tem na musica mundial e o legado que ele nos deixa tanto como arte, como experiência de vida. Ao mesmo tempo, não há musica mais comercial que o blues em todo o mundo. BB King realmente teve altos e baixos, isso é normal, o blues tradicional realmente ainda é visto com muito preconceito por pessoas desinformadas, e isso é uma bobagem. Mas pense comigo, o que seria de BB King e vários outros descendentes de escravos se não fosse o blues como forma de expressão e trabalho? BB King não pode reclamar, ele é simplesmente o Rei, quer mais que isso? Ele ainda lota todos os shows, aonde quer que seja.

O blues está mais vivo do que nunca, prova disso são os grandes festivais que lotam todas as edições tanto no exterior (ex. :Crossroads Guitar Festival), como no Brasil (ex.: Rio Das Ostras, Guaramiranga, Moinho Da Estação). Esse papo de blues não é comercial, blues não dá grana, blues é lento demais, isso já tá mais que ultrapassado, é papo de quem não conhece nada de blues.

Temos que enobrecer o blues cada vez mais, esse ritmo sim merece nosso reconhecimento, e não esse tanto de porcaria que a indústria e a mídia querem que a gente engula a força, fazendo um rebanho cada vez maior de pessoas limitadas culturalmente.

7) Na minha opinião, o último grande monstro do blues foi Stevie Ray Vaughan. Você concorda e se não, precisamos de uma grande bandeira do gênero?

Concordo em parte. Ele foi realmente um fenômeno na guitarra, mas se não existissem músicos como Muddy Waters, Robert Johnson, Willie Dixon, Albert Collins, Albert King, Freddie King, BB King, Buddy Guy ele não seria nada. O que tem de haver nas pessoas que estão interessadas no blues é uma maior pesquisa, uma pesquisa realmente histórica. O pessoal quer conhecer blues mas só consegue chegar no SRV, no Hendrix. Blues não é só isso, blues é muito mais que só Blues-Rock ou que Rock N Roll, ou que licks de guitarra super rápidos. SRV imitava Jimi Hendrix, que plagiava os trejeitos de Buddy Guy, que foi influenciado diretamente por Muddy Waters e Howlin' Wolf, que aprendeu e excursionou com Robert Johnson. O blues está sempre se reinventando, isso é o que faz dele um ritmo muito interessante de se aprender e de se estudar. Bandeira do gênero...acho isso bobagem, precisamos de mais pessoas interessadas em aprender essa arte, mas aprender direito, não só sair imitando o SRV e achar que é o melhor do mundo por isso.

8) Como foi a produção do disco Feeling Alright, no que diz respeito ao norte musical e dificuldades para concluí-lo? Dá para perceber que o Hot Spot e o Gustavo tocam as faixas com malícia que só o blues tem e com boa qualidade técnica e sonora.Queria que vc falasse sobre os covers do disco também.

O album Feeling Alright contem apenas releituras, das quais pincelamos as melhores musicas que tocamos no show. Foi um álbum muito bacana de se fazer pois tocamos o que realmente gostamos, um blues com bastante suingue e com uma pegada bem ao nosso estilo. Nesse álbum há musicas de Bill Withers, Muddy Waters, Howlin Wolf, JJ Cale entre outros compositores importantes do cenário blues mundial. Meu próximo álbum, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2011, terá 10 musicas inéditas de minha autoria. Aguarde e confira!

9) Que dica você daria para quem quer montar uma banda de blues e seguir essa carreira?

Estudar, pesquisar, divulgar, conhecer ao máximo através de livros, filmes, cds, enciclopédias, internet, todo o universo do blues. Ter persistência e não ter preconceito.

Para conhecer mais:
http://hotspotgus.blogspot.com/
www.myspace.com/hotspotbluesband