Então leitores...que são milhões eu sei!
Vou postar o meu programa de blues( Delta Blues) na Rádio Elo Fm. Pra conhecer a rádio: http://www.elofm.com.br/
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Resenha Crítica do álbum "Clapton".
Clapton revisado e melhor
Quando Eric lançou o álbum "Clapton" em setembro desse ano, muitos fãs pensaram,"mas ele ainda faz música?" O próprio músico diminuiu o ritmo de trabalho. Não faz mais turnês mundiais e nem compõe no mesmo volume de antes. Lembrando que seu último álbum de inéditas foi Back Home, de 2005. Clapton diz na sua autobiografia não aguentar mais viagens longas e dormir em quartos de hotel. Outro fator é a família que o artista construiu e não pretende ficar distante dela.
Mesmo que ele seja um gênio da música e um dos principais guitar heroes de uma ,e que de um ícone desses não se pode duvidar, ninguém colocava mais fé em um trabalho consistente de um “aposentado”. Aos 65 anos, Eric lança um disco surpreendente. Dos álbuns de estúdio, provavelmente é um dos melhores. Chegou perto de Layla and Assorted Love Songs, de 70. É tão bom quanto Jorney Man, de 83 e tão clássico quanto From the Cradle de 94.
O próprio Clapton sabe bem qual é sua fonte principal de inspiração: o blues. Mesmo que seus álbuns não fossem tão levados ao tradicionalismo do gênero, a sua concepção passava por Mississipi e o Delta lamacento. Eric experimentou muito, como o álbum August de 86 e Pilgrim de 98. Ambos eletrônicos demais. Parecia que o musico tinha perdido o fio da meada. O disco desse ano é mais próximo do blues e o último disco que lançou do gênero foi em 2004, com o álbum de homenagem a Robert Johnson, Me and Mr Johnson. As faixas vão de blues tradicional até pisarem no jazz mais arcaico, que em algum momento na história convergiu junto ao blues. A qualidade sonora é de primeira, excelente áudio. É possível ouvir com clareza todos os instrumentos, cuidadosamente equilibrados, diga-se de passagem. O trabalho vocal de Clapton é como sempre foi, sólido e impactante. Tudo graças a voz de barítono do musico em questão.
A idade e o período sem gravar foi importantíssimo para o incrível Slowhand. O seus álbuns de inéditas haviam se tornado irregulares e sem a identidade do músico. As canções eram distante demais uma das outras. Reptile de 2001 e Back Home de 2005 são grandes exemplos. O álbum Clapton serve de incentivo para o próprio músico seguir compondo e ter certeza de que ainda tem lenha para queimar, acabando com a história de que está aposentado. Gênios como BB King, 84 anos, Buddy Guy, 75 anos, Chucky Berry 93 , continuam na ativa. Por que Eric Clapton, que um dia foi chamado de deus, não pode? Ele volta ao trabalho com qualidade, presenteia os fãs e volta para a mídia. Essa última, já chegou a duvidar de Clapton. Em matéria do Hoje em Dia, do mês de Novembro de 2010, o jornal tratava da vinda de Jeff Beck para o Brasil. Nela, o periódico se referia a Jeff como o último guitarrista de uma linhagem fantástica de instrumentistas. Dizendo que Clapton estava aposentado e os outros, como Duane Allman, mortos. No mínimo desinformação. Como chamar alguém de aposentado sendo que no mês anterior o aposentado lançara um disco?
Especificamente falando do disco, as faixas são absolutamente competentes. Traveling Alone é um blues denso, mas moderno. Seu ritmo se matem constante e pesado. A linha de bateria é fantástica, com frases rápidas e avançadas para se unir ao blues. Rivers Runs Deep é um bluesrock colorido por slide guitar e uma atmosfera de teclado que constrói muita textura para a música. Jugdment Day, Crazy about You,e Rolling and Tumbling são blues tradicionais e conferem ao disco a maldade e malícia de Eric Clapton. Milkman, How Deep is the Ocean e When somebody Thinks you are Wonderful são alimentadas pelo jazz, graças as composição harmônica. Sem dúvida agregam ao disco carga emocional, já que falam sobre o amor.
Resumindo, o álbum Clapton reúne o que o músico aprendeu de melhor na sua carreira. As canções são coesas e é possível perceber um disco trabalhado para ser um álbum sólido. Não são canções simplesmente jogadas em uma mídia e depois vendidas. Os fãs ficarão satisfeitos com o mais um feito de Eric Clapton, o eterno Slowhand de Ripley.
Quando Eric lançou o álbum "Clapton" em setembro desse ano, muitos fãs pensaram,"mas ele ainda faz música?" O próprio músico diminuiu o ritmo de trabalho. Não faz mais turnês mundiais e nem compõe no mesmo volume de antes. Lembrando que seu último álbum de inéditas foi Back Home, de 2005. Clapton diz na sua autobiografia não aguentar mais viagens longas e dormir em quartos de hotel. Outro fator é a família que o artista construiu e não pretende ficar distante dela.
Mesmo que ele seja um gênio da música e um dos principais guitar heroes de uma ,e que de um ícone desses não se pode duvidar, ninguém colocava mais fé em um trabalho consistente de um “aposentado”. Aos 65 anos, Eric lança um disco surpreendente. Dos álbuns de estúdio, provavelmente é um dos melhores. Chegou perto de Layla and Assorted Love Songs, de 70. É tão bom quanto Jorney Man, de 83 e tão clássico quanto From the Cradle de 94.
O próprio Clapton sabe bem qual é sua fonte principal de inspiração: o blues. Mesmo que seus álbuns não fossem tão levados ao tradicionalismo do gênero, a sua concepção passava por Mississipi e o Delta lamacento. Eric experimentou muito, como o álbum August de 86 e Pilgrim de 98. Ambos eletrônicos demais. Parecia que o musico tinha perdido o fio da meada. O disco desse ano é mais próximo do blues e o último disco que lançou do gênero foi em 2004, com o álbum de homenagem a Robert Johnson, Me and Mr Johnson. As faixas vão de blues tradicional até pisarem no jazz mais arcaico, que em algum momento na história convergiu junto ao blues. A qualidade sonora é de primeira, excelente áudio. É possível ouvir com clareza todos os instrumentos, cuidadosamente equilibrados, diga-se de passagem. O trabalho vocal de Clapton é como sempre foi, sólido e impactante. Tudo graças a voz de barítono do musico em questão.
A idade e o período sem gravar foi importantíssimo para o incrível Slowhand. O seus álbuns de inéditas haviam se tornado irregulares e sem a identidade do músico. As canções eram distante demais uma das outras. Reptile de 2001 e Back Home de 2005 são grandes exemplos. O álbum Clapton serve de incentivo para o próprio músico seguir compondo e ter certeza de que ainda tem lenha para queimar, acabando com a história de que está aposentado. Gênios como BB King, 84 anos, Buddy Guy, 75 anos, Chucky Berry 93 , continuam na ativa. Por que Eric Clapton, que um dia foi chamado de deus, não pode? Ele volta ao trabalho com qualidade, presenteia os fãs e volta para a mídia. Essa última, já chegou a duvidar de Clapton. Em matéria do Hoje em Dia, do mês de Novembro de 2010, o jornal tratava da vinda de Jeff Beck para o Brasil. Nela, o periódico se referia a Jeff como o último guitarrista de uma linhagem fantástica de instrumentistas. Dizendo que Clapton estava aposentado e os outros, como Duane Allman, mortos. No mínimo desinformação. Como chamar alguém de aposentado sendo que no mês anterior o aposentado lançara um disco?
Especificamente falando do disco, as faixas são absolutamente competentes. Traveling Alone é um blues denso, mas moderno. Seu ritmo se matem constante e pesado. A linha de bateria é fantástica, com frases rápidas e avançadas para se unir ao blues. Rivers Runs Deep é um bluesrock colorido por slide guitar e uma atmosfera de teclado que constrói muita textura para a música. Jugdment Day, Crazy about You,e Rolling and Tumbling são blues tradicionais e conferem ao disco a maldade e malícia de Eric Clapton. Milkman, How Deep is the Ocean e When somebody Thinks you are Wonderful são alimentadas pelo jazz, graças as composição harmônica. Sem dúvida agregam ao disco carga emocional, já que falam sobre o amor.
Resumindo, o álbum Clapton reúne o que o músico aprendeu de melhor na sua carreira. As canções são coesas e é possível perceber um disco trabalhado para ser um álbum sólido. Não são canções simplesmente jogadas em uma mídia e depois vendidas. Os fãs ficarão satisfeitos com o mais um feito de Eric Clapton, o eterno Slowhand de Ripley.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Buddy Guy, O cara!
Buddy GUY foi um dos mais incríveis guitarristas que a natureza deu para o nosso enfadonho mundo. O homem de quem eu estou falando nasceu em 1936, mais precisamente dia 30 de julho na cidade de Lettsworth, Louisiana. Um lugar bastante rural e que serviu de fonte de inspiração para tocar o seu blues.
Com treze anos, Buddy construiu seu primeiro violão, feito de latas e arame. Com 21, foi parar em Chicago para tocar na noite. A cidade que no começo do século era de grande maioria branca, foi invadida por negros que queriam trabalho. Alguns deles vocês já devem ter ouvido falar, BB King, Freddie King, Elmore James, dentre outros.
A sua capacidade o fez gravar com deuses da época, Muddy Water, Howlin Wolf e Willi Dixon. Mais à frente fez uma parceria com o gaitista Junior Wells e assim lançaram o disco Buddy Guy e Junior Wells Play the Blues. O bluesman, a essa altura, já era um dos melhores. Suas influências de raiz e da modernização do blues que aconteciam em Chicago, fizeram Buddy uma lenda, mesmo tendo começado a tocar profissionalmente quando o Rock’n’Roll estava na moda.
O seu blues é recheado de licks maliciosos e técnicos. Os solos são a personificação do blues. Jimmi Hnedrix já cancelou um show apenas para assisti-lo e dizer que roubou muitas ideias dele. Eric Clapton diz que Buddy Guy é o melhor guitarrista vivo.
Dizem que ninguém consegue chegar tão perto do coração do blues quanto Guy. O jeito que Buddy faz as notas sangrarem é inconfundível. Mesmo com 74 anos, ainda está em forma e no seu último álbum de 2010 ,Livin Proof, provou isso. Não se tornou retrógrado e faz uma leitura moderna do blues com muita competência, provando que bluesman é igual whiskey, quanto mais velho, melhor.
domingo, 17 de outubro de 2010
The Sky is Rocking
Um timbre de guitarra que parecia um trovão. Uma voz rouca que emanava toda a presença de um homem. Aliás, chamar SRV de homem é diminuí-lo. Um monstro sagrado como Stevie não poderia ficar de fora desse blog.
Stevie nasceu em Dallas Texas, no dia 3 de outubro de 1954. O bluesman branco foi na década de 80 o salvador do gênero que estava a muito tempo em decadência. Não sofria renovação e perdia espaço comercial. O seu jeito de tocar tinha muito de Hendrix e Albert King. Era virtuoso e intenso. Usava uma Fender Stratocaster e encordoamento 013, o que é demais para qualquer guitarrista. Vaughan começou tocando baixo na banda de seu irmão, também bluesman, Jimmi Vaughan.
No final dos anos 70 assumiu a guitarra e ai o mundo não seria mais o mesmo. Em 83 lançou seu primeiro álbum, Texas Flood e alcançou o sucesso nas paradas com Pride and Joy. Depois disso, lançou mais quatro álbuns de estúdio: Couldnt Stand the Weather,Soul to Soul,In Step e por último, junto com seu irmão, Family Style.
A sua capacidade musical fez o antigos dinossauros do blues curvarem-se diante de seu talento assustador. Nomes como BB King, Eric Clapton e John Lee Hooker não poupavam elogios. Ray Vaughan morreu dia 27 de agosto de 1990 após a queda de um helicóptero durante uma turnê que contava com Eric Clapton, Buddy Guy e Robert Cray. Depois dele, o blues não encontrou ninguém tão talentoso que fizesse os novos ouvir o gênero e o velhos monstros sagrados admirarem.Ele foi o desfibrilador do Blues.
O mundo sem dúvida ficou mais triste e sem graça depois que ele se foi. As iniciais SRV estão cravadas na história do blues. Provavelmente nesse momento, Stevie está fazendo uma jam com Jimmi Hendrix no céu da música. E que jam!
Simplesmente Charley
O último post foi dedicado a um mestre do delta, aliás um dos mais famosos bluesman do delta. Mas temos que perceber que não é só Robert Johnson que dava as cartas por aqueles lados. Esse de quem eu vou falar também foi influente e fazia a lama do Mississipi ferver quando tocava.
Até hoje não se sabe o ano de nascimento de Charley Patton, a data pode ser 1° de maio 1891 ou 1 de maio de 1900. E se está imaginando um bluesman negro se enganou. O homem de quem eu estou falando era parecido com um latino, muitos diziam mexicano, outros cherokee.
Patton não fugia do estereótipo do bluesman do inicio do sec XX. Era pobre e trabalhava junto com a família em fazendas. Aprendeu a tocar tarde, já aos 19 anos. Apesar disso, começou a se apresentar nas fazendas do Mississipi e em Jook Joints, os bares clandestinos que ficavam à margem dos rios. Seu estilo era completamente inovador e maluco.
Lembra daquelas cenas de Jimmi Hedrix tocando ajoelhado e com a guitarra atrás da cabeça? Sim meus caros, Charley Patton fazia tudo isso com um violão. Diz à lenda que a potente voz de Charley poderia ser ouvida a 450 metros sem amplificador. Como astro é astro, o nosso aqui também aprontava das suas.
Adorava whiskey e cigarros e tinha como hábito bater em mulheres. Todas as suas oito amantes para falar a verdade. Fora as brigas que costumava arrumar pela cidade. Em 1933, finalmente se fixou em Holly Ridge Mississipi com sua mulher Bertha Lee. Mesmo casado Charley, não perdia o hábito de espancar mulheres, mas dessa vez Bertha também gostava de confusão. Em uma briga, o bluesman chegou a sofrer um corte no pescoço, o que eu atrapalhou sua voz.
Morreu em 1934 acometido por problemas no coração. Muitos apontam Patton como o pai do blues do delta e músicos como John Lee Hooker e Howlin Wolf aprenderam a tocar com ele. Se esse homem não tivesse nascido, talvez nem esse blog existisse.
Assinar:
Postagens (Atom)